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Blog Boatos e Fake News
por Luiza Maia


Luiza Maia é graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal Fluminense. Enxerga no futuro do jornalismo a esperança de que novas histórias e pontos de vista sejam contados e visibilizados. Histórias e opiniões de resistência, contra uma maré de consensos forjados.






A festa do consumo
Por: Luiza Maia em 11/12/2018

Balões em todos os lugares, promessas de realizações, diversões, e um enorme número de pessoas que acompanham em ritmo atento e agitado. É uma festa marcada para um dia específico do ano, mas que acaba se estendendo para mais de um dia, mais de uma semana. Um evento importado das terras estadunidenses, que possui encontro marcado toda última sexta-feira de novembro, após o famoso dia de Ação de Graças. As propagandas lotam as redes sociais, as televisões e as ruas, que se enfeitam para a grande festa. As comemorações começam cedo e terminam tarde, com shoppings e lojas estendendo ao máximo seus tempos de venda.

Os jornais e meios informativos cobrem orgulhosamente o evento, com coberturas ao vivo, apontando as maiores ofertas – pontos altos da comemoração – e dicas para fugir das armadilhas – os ingressos falsos vendidos para essa festa. Por exemplo, a seção de economia do O Globo apontou para os dados da consultoria Ebit Nielsen, de que até as 17h de sexta-feira, as vendas online somaram R$ 2,1 bilhões, a mesma quantidade que o ganho durante cinco dias promocionais da Black Friday em 2017. E, com base em especialistas em economia, afirmou-se que as melhoras nas vendas decorrem de um olhar mais positivo dos consumidores brasileiros quanto a economia do país.

Entretanto, nesse clima festivo, o que há para comemorar? Talvez a renovação dos eletrodomésticos, finalmente a compra daquele celular novo, ou daquelas camisetas que baixaram de preço e se tornaram irresistíveis. Mas por que será que comemoramos tanto por conquistas materiais?

De fato, desde cedo somos apresentados ao consumo, e convidados para fazer parte dessa grande festividade. Como o grande intelectual e sociólogo Zygmunt Bauman diria, na modernidade líquida em que vivemos, os desejos são constantemente despertados, e os produtos são vendidos como experiências, sensações com promessas duradouras, mas que logo passam. As ofertas são os atrativos, e os preços mais baixos realmente podem ser bons negócios, quando a mercadoria é comprada por uma necessidade, com uma finalidade. Mas em uma sociedade que valoriza mais o “ter”, acima do “ser”, a felicidade acaba sendo atrelada a um maior consumo, este, que acaba sendo realizado de forma impulsiva e não pensada.

Enquanto isso, os números de consumo derivados dessa produção industrial e desequilibrada, já alertam para uma urgência de mudança. Segundo a Global Footprint Network (GFN), até o dia 1º de agosto de deste ano, a população mundial consumiu uma quantidade de recursos naturais equivalentes a capacidade total que a poderia Terra produzir para o ano inteiro. Agora, perto do mês de dezembro, estamos quase 4 meses em dívida com a natureza, consumindo mais do que ela pode nos oferecer de modo equilibrado.

Tendo em vista essa urgência, grupos de pessoas já tem se mobilizado para expandir uma defesa do consumo consciente e de um estilo de vida menos extravagante e mais prático. O “Dia Mundial sem Compras” é um movimento realizado no mesmo dia da Black Friday, e marca um dia longe do consumo apelativo dessa época do ano. Conceito inventado pelo artista canadense Ted Dave e uma a data promovida pela organização canadense AdbustersMedia, é realizado em protesto, que pretende mobilizar uma consciência dos indivíduos quanto a importância de consumir com responsabilidade.

Além desta data, podemos destacar outro movimento que vem desconstruindo suas ideias quanto ao modo de consumo. O Minimalismo é um modo de vida, cujas pessoas que o aderem, passam a valorizar apenas suas necessidades ao consumirem produtos e também ao organizarem o ambiente em que vivem. Ao invés de acumularem bens materiais, e investirem suas economias em objetos de desejo supérfluos, os minimalistas apostam em compras que visem a durabilidade e simplicidade.

Lucas Schell, de 28 anos, começou a rever suas atitudes após trabalhar em um hotel na Índia e perceber que a empresa utilizava mão de obra em condições análogas à escravidão. Inconformado com esta situação, ele deixou de trabalhar na empresa e começou a rever a origem do que estava consumindo: “Saí por não conseguir mudar aquela realidade, mas aos poucos foi caindo a ficha de aquele era o padrão de produção da maioria das coisas que eu consumia.”

A estatística de 35 anos, Michele Harthmann, também decidiu também transformar seu estilo de vida, após se questionar: “Até quando vamos continuar explorando nossos recursos naturais, explorando os trabalhadores envolvidos para manter esse estilo de vida?”. A partir deste ponto, começou seu processo de consciência quanto ao ciclo do consumo, passando a se responsabilizar pelo número de mercadorias consumidas, a duração no tempo de seus usos, a origem destes e seus impactos socioambientais, além de um descarte adequado dos produtos.

No entanto, a mudança para esse estilo de vida não é fácil, ao causar um processo de desprendimento material e revisão de hábitos tão automatizados do dia a dia. Há hoje muitos livros que auxiliam quem deseja aderir ao estilo de vida minimalista, além de blogs e páginas online de pessoas que passam a compartilhar suas dicas e experiências. No caso da jornalista Caroline Abreu, foi o documentário “Minimalism” no Netflix, o qual ela assistiu logo no começo do seu tratamento da depressão, que a levou a compreender que grande parte de seus problemas estava na busca desenfreada por mais e mais coisas. Hoje, com seu blog “Parece Óbvio”, também presente nas redes sociais Facebook e Instagram, ela compartilha suas dicas práticas para um dia-a-dia mais minimalista e reflexões sobre esse estilo de vida para motivar mais pessoas.

É necessário, para que ocorra uma mudança de atitude, primeiramente se autoconhecer, para somente assim ser possível uma mudança de ações. “A pessoa precisa parar, olhar para dentro e se perguntar: o que eu estou buscando com todas essas compras? Elas estão suprindo as minhas necessidades – ou tão logo eu compro algo, já quero mais?, são as perguntas sugeridas por Caroline. Deste modo, a automatização nos impulsos consumistas pode ser repensada e problematizada. Apesar de estarmos imersos em uma festa do consumo, podemos, sim, negar seu convite e escapar da falsa diversão que ela oferece e o falso brilho de suas promessas festivas.











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