Abertura   Editorial   Colunistas   Contato  
 
     
 
 
   
  PSICANALISTA
POLÍTICO
  BOATOS E
FAKE NEWS
  RESENHAS
LITERÁRIAS
  FUTEBOL
DE VÁRZEA
  OPINIÃO DOS
PARCEIROS
  DIVULGAÇÃO
CIENTÍFICA
 
 
 

 

Blog Boatos e Fake News
por Luiza Maia


Luiza Maia é graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal Fluminense. Enxerga no futuro do jornalismo a esperança de que novas histórias e pontos de vista sejam contados e visibilizados. Histórias e opiniões de resistência, contra uma maré de consensos forjados.






Por que amamos alguns, e matamos outros?
Por: Luiza Maia em 26/12/2018

Quando o assunto se trata do maltrato de animais, a questão deve ser encarada com seriedade, não se passando como impune. No Brasil, de acordo com a Lei de Crimes Ambientais, recebe uma multa e uma pena de 3 meses a 1 ano aquele que “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”. Apesar dessa lei de proteção, casos como o assassinato do cachorro no mercado Carrefour em Osasco (SP), ocorrido no dia 28 de novembro, ainda alertam para os absurdos que muitos animais acabam sofrendo. Abandonado, o cachorro que circulava pelo estabelecimento foi envenenado e agredido por um dos funcionários do local. O Departamento de Fauna e Bem-Estar Animal o resgatou do mercado com um sangramento intenso, e o mesmo não resistiu aos ferimentos.

O caso foi denunciado por Isabela Marcelino através de uma publicação no Facebook, e repercutiu nas mídias sociais, atingindo mais de 26 mil compartilhamentos pelos internautas, e mobilizando inclusive de famosos como as atrizes Tatá Werneck e Kéfera. A ativista Luisa Mell e vereador de Osasco, Ralfi Silva, foram responsáveis pela divulgação do vídeo o qual confirma a agressão sofrida pelo animal, causando uma revolta maior ainda. O cachorro ganhou homenagens nas redes sociais com uma ilustração o representando com uma aréola de anjo, e uma conta no instagram chamada “Queremos Justiça Carrefour” (@queremosjusticacarrefour), foi criada a fim de angariar petições para o aumento da pena para este tipo de crime. (https://www.change.org/p/assina-peti%C3%A7%C3%A3o-que-aumenta-as-penas-para-crimes-de-maus-tratos-e-abandonos)

Com essa mobilização em favor aos direitos dos animais, outra questão foi levantada nas redes sociais: por que estão defendendo o direito apenas de alguns? O principal grupo de pessoas que começou a divulgar esse questionamento foram os adeptos ao veganismo, os quais defendem que todos os animais não devem ser usados para o consumo do homem, e sim, serem cuidados e respeitados de forma ética. De acordo com a The Vegan Society: “O veganismo é uma forma de viver que busca excluir, na medida do possível e do praticável, todas as formas de exploração e de crueldade contra animais, seja para a alimentação, para o vestuário ou para qualquer outra finalidade”.



Por isso, charges e textos foram compartilhados na internet com o intuito de apontar uma “hipocrisia” daqueles que se mobilizaram pelo cachorro do Carrefour, mas que não possuem a mesma empatia em relação aos animais que são expostos a condições deploráveis e mortos para o consumo humano. Documentários como “A Carne é Fraca” e “Terráqueos”, são algumas das produções que mostram que além da morte dos animais, muitos deles acabam sendo maltratados, enclausurados e privados de sua liberdade apenas para satisfazerem as demandas desse mercado.

Esta polêmica questão é levantada há muito tempo, e é também debatida no livro “Por que amamos cachorros, comemos porcos e vestimos vacas – Uma introdução ao carnismo”. A autora americana, Melanie Joy, aborda que o fato de alguns animais serem vistos como comida, e outros como companheiros, é derivado de uma tradição cultural que passa de geração em geração o costume em consumir a carne animal sem que as pessoas reflitam sobre esse ato. Essas crenças que atuam de forma invisível, são chamadas pela autora de “carnismo”, ou seja, uma ideologia que transforma o ato de matar e se alimentar de um animal algo natural. De acordo com Joy, muitos que compram as carnes nos mercados, ou consomem nos restaurantes, desassociam esse alimento ao porco, à vaca, à galinha que foram mortos. A indústria também normaliza o consumo através das propagandas que ocultam a origem daquele alimento e embalagens que disfarçam seu conteúdo.

Sabendo desse caráter naturalizado da exploração animal na sociedade, é possível refletir: será que é justo pensar que uma alguém não é verdadeiro apenas por lamentar a morte de um cachorro, e não de um porco, ou de uma vaca? Dentro do próprio movimento vegano, defende-se que todos possuem um tempo de “despertar” e compreender o que está por trás de consumir derivados de animais. Porém, esse despertar não é respeitado quando há um julgamento de quem ainda ingere carne. Ao invés de atrair mais pessoas para o veganismo e para perceberem a realidade por trás de seus hábitos, acabam gerando o efeito de afastamento.

Além disso, o veganismo ainda possui um status de elitista, já que grande parte das pessoas mais influentes dentro do movimento, e que se tornam adeptas, estão inseridos na classe média e alta. Este argumento foi utilizado nos últimos dias para rebater as críticas dos veganos, já que há pessoas de classe mais baixa que nunca ao menos já ouviram falar sobre esse modo de vida. O perfil do instagram Vegano Periférico (@veganoperiferico), é um dos projetos que buscam mostrar como é possível aderir ao veganismo mesmo morando na periferia e tendo uma baixa renda.



O administrador da conta, como mostra em uma de suas publicações, reconhece que “o veganismo é elitista, porém não é caro”, e por isso mostra como fazer refeições vegetarianas baratas e acessíveis para todos. Inserido em uma realidade em que há famílias que nem mesmo escolhem o que vão consumir, pois recebem doações e cestas básicas, ele reconhece que muitos não compreendem ainda como é possível viver sem o consumo da carne e dos derivados de animais. Por isso, a conta publicou na quarta-feira, dia 05, um texto em reação aos julgamentos de parte dos veganos nas redes sociais.



Apesar do desejo de muitos vegetarianos e veganos buscarem influenciar um grande número de pessoas através de suas filosofias de vida, é necessário que estes se enxerguem e compreendam as diferentes realidades de pessoas na sociedade. Os documentários, vídeos e livros servem para expor os fatos por trás da exploração animal, porém, é preciso entender que nem todos conseguirão chegar a acessá-los, ou se verão com condições de mudar seus modos de vida. Se a sociedade ainda ama alguns, e mata outros, é porque nenhuma mudança social ocorre de forma repentina. Se a exigência é que se tenha mais empatia por outras espécies, que haja também empatia para com todas as pessoas e suas diferentes condições de vida, e o tempo pessoal de mudança de cada indivíduo.











Post posterior
Momentos em que as escolas de samba assumiram um papel crítico e social no carnaval carioca
 
Post anterior
Passe livre aprovado pela ALERJ beneficia estudantes de faculdades




 



Psicanalista Político
Boatos e Fake News
Resenhas Literárias
Futebol de Várzea
Opinião dos Parceiros
Divulgação Científica
 

Abertura
Editorial
Colunistas
Contato