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por Pedro Menezes


Pedro Menezes é estudante de jornalismo na Universidade Federal Fluminense. Ama esportes, carnaval e uva passa.






Momentos em que as escolas de samba assumiram um papel crítico e social no carnaval carioca
Por: Pedro Menezes em 27/12/2018

Confira alguns dos sambas que assumiram um papel crítico e combativo pela história do carnaval

Escolas de samba já assumiram um papel crítico em diversos momentos de suas histórias. Os desfiles de 2018 do Paraíso do Tuiuti e da Mangueira reacenderam uma chama no carnaval e fizeram os holofotes retornarem para a festa com um viés mais social e menos banal. Mas esses temas não são novidades, por isso destaco importantes enredos críticos de escolas de samba durante a história do carnaval do Rio.

Império Serrano 1969 - No auge da ditadura e da repressão militar, o Império Serrano desfilou com o enredo “Heróis da Liberdade”, que exaltava qualquer luta por liberdade que tenha existido na história do Brasil. Os compositores Silas de Oliveira e Mano Décio da Viola tiveram que explicar pros censores da ditadura que os versos “Ao longe soldados e tambores/ Alunos e professores/ Acompanhados de clarim/ Cantavam assim/ Já raiou a liberdade/ A liberdade já raiou” não tinham nada a ver com as famosas Manifestações de Maio de 1968. Além dos versos “Esta brisa que a juventude afaga/ Esta chama que o ódio não apaga pelo Universo/ É a revolução em sua legítima razão” que deixa no ar o caráter de uma possível chegada dessas manifestações no Brasil, dizendo que ela seria uma revolução em sua legítima razão, e não a tal “revolução constitucionalista” que os militares pronunciavam que havia ocorrido em 1964. Acabou que o DOPS ordenou a troca da palavra ”revolução” por “evolução”. Mudava o contexto da obra, mas que porém seria eternizada entre os grandes exemplares do gênero. Não saiu caro. Durante o desfile, caças da Aeronáutica sobrevoavam a avenida, atrapalhando o desfile da escola.

Caprichosos 1985 - No momento de redemocratização, várias escolas aproveitaram para dar seu recado a favor da democracia. A Caprichosos, escola modesta, conhecida por fazer críticas bem humoradas, atingiu seu auge num desses enredos, em 1985. “E por falar em saudade…”, idealizado por Luiz Fernando Reis, propunha uma ideia de nostalgia e críticas aos tempos “atuais”. O samba de Almir de Araújo, Balinha, Marquinho Lessa, Hércules e Carlinhos de Pilares criticava a ditadura, “Diretamente, o povo escolhia o presidente”, além de criticar a inflação “se comia mais feijão” e “a gasolina barata”. Seria o samba mais popular daquele ano, com seu refrão chiclete “Tem bumbum de fora pra chuchu/ Qualquer dia é todo mundo nu”.

Império Serrano 1986 - em 86 foi a vez do Império Serrano dar seu recado. O samba chamado “Eu Quero” exprimia o que a população queria naquela época.

“Quero que meu amanhã, meu amanhã
Seja um hoje bem melhor, bem melhor
Uma juventude sã
Com ar puro ao redor (bis)

Quero nosso povo bem nutrido
O país desenvolvido
Quero paz e moradia
Chega de ganhar tão pouco
Chega de sufoco e de covardia”

O samba de Aluísio Machado, Jorge Nóbrega e Luiz Carlos do Cavaco ainda criticava a ditadura nos versos “Me dá, me dá/ Me dá o que é meu/ Foram vinte anos/ Que alguém comeu” numa referência aos vinte anos de governo militar. Esta obra ganharia o Estandarte de Ouro do Jornal O Globo de melhor samba enredo, maior premiação no meio carnavalesco.

São Clemente 1987 - A simpática escola da Zona Sul carioca é tradicional em fazer duras críticas. Em 87 foi tratada a questão do menor de rua. O samba de Izaias de Paula, Jorge Moreira e Manuelzinho Poeta trata de questões sociais importantíssimas sendo até hoje um dos maiores da história da escola. Os versos “Se hoje ele é mau orientado/ Será marginalizado/ Nas manchetes de amanhã” são atuais e parecem estar longe de serem solucionados.

Mangueira 1988 - No ano em que a Lei Áurea completou 100 anos, a escola mais popular do carnaval desfilou com um verdadeiro tapa na cara em forma de samba enredo. O samba exaltava a figura do negro, e colocava em xeque o destino daqueles que sofreram com a escravidão no pós Lei Áurea. “Pergunte ao criador/ Quem pintou esta aquarela/ Livre do açoite da senzala/ Preso na miséria da favela”. Era considerado o samba mais bonito do carnaval, mas que porém foi vencido pela apoteótica “Kizomba, a festa da raça” que também colocava o negro como o grande protagonista da mais popular de nossas festas.











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