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Blog Divulgação Científica
por Pâmela Dias


Pâmela Dias é paulista que se aventurou em terras fluminenses e apaixonada por trabalhos voluntários, é graduanda em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense e técnica em administração de empresas pela Etec Jorge Street.






A misoginia na ciência: Por que poucas mulheres conquistam o Prêmio Nobel?
Por: Pâmela Dias em 11/12/2018

Donna Strickland, cientista canadense, foi uma das ganhadoras do Prêmio Nobel de Física de 2018, anunciado em outubro, juntamente a Arthur Ashkin, dos Estados Unidos, e Gerard Mourou, da França. Trata-se de um grande feito para qualquer cientista, contudo, o fato de Strickland ser apenas a terceira mulher a receber o prêmio na história, depois de Marie Curie, em 1903, e Maria Goeppert-Mayer, em 1963, alerta para discrepância de gênero na educação e em carreiras científicas.

O Nobel recebido honra as pesquisas desenvolvidas pelo trio no campo da física dos lasers com o desenvolvimento de uma técnica chamada Chirped Pulse Amplification (CPA, na sigla em inglês), que agora é usada em terapias para câncer e também em milhões de cirurgias corretivas dos olhos todos os anos.

O prêmio veio dias depois de Alessandro Strumia, físico da Universidade de Pisa na Itália, dizer em um discurso que a Física “foi inventada e construída por homens” e que os cientistas homens estavam “sofrendo discriminação” por parte de instituições que agem ideologicamente. Strumia foi suspenso do centro de pesquisa em que atuava após a fala misógina e contribuiu para iniciativas de mudanças na maneira de advogar a ausência do público feminino na área.

Mulheres enfrentam inúmeras dificuldades estruturais e institucionais em carreiras acadêmicas nas áreas Stem (sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Além de questões relacionadas às disparidades salariais entre os gêneros, a estrutura da ciência acadêmica dificulta o avanço de mulheres. Isso porque o estudo científico requer anos de dedicação em um laboratório, e as imposições da carreira podem tornar difícil, senão impossível, o equilíbrio entre o trabalho e os cuidados familiares que geralmente recaem sobre elas. Acrescentado aos estereótipos tradicionais de que mulheres não são boas nas áreas de exatas – que, por sinal, já têm sido contestadas por pesquisas empíricas.

Pensando, então, em introduzir mais mulheres no campo científico que, desde 1901, somam apenas 5% dos vencedores (51 mulheres de 904 pessoas premiadas), um grupo de pesquisadoras enviou ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) uma carta assinada pela professora Pâmela Mello Carpes, da Unipampa, com diferentes reivindicações para trazer mais igualdade de acesso e concorrência das mulheres às bolsas e financiamentos científicos no Brasil. Um dos pedidos é a inclusão do período de licença-maternidade no currículo Lattes, uma forma de sinalizar um possível "buraco" na produção durante o período pós-parto e evitar comparações injustas com os homens cientistas em processos de seleção.



De acordo com pesquisas brasileiras lideradas pela pesquisadora Fernanda Staniscuaski, intituladas “Parent in Science”, 81% das 1.299 mães cientistas entrevistadas afirmaram que ter um filho causa um impacto negativo ou muito negativo na carreira acadêmica e 54% delas são as únicas responsáveis por cuidar dos filhos. Sendo assim, a CNPq relatou que está sensível à questão do estudo e discutirá a reivindicação de benefícios como esses para todas as modalidades de bolsas científicas.

As mulheres aguardam ansiosamente o momento em que questões de gênero e culto de estereótipos não serão as condições necessárias para inferi-las direito a um prêmio de maior prestígio na ciência. Mas, sim, apenas a força de seu trabalho.











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