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Blog Divulgação Científica
por Danielle Alvarenga


Danielle Alvarenga cursa o segundo período de Jornalismo na Universidade Federal Fluminense.






Mulher na ciência - Por que ainda há dificuldade da mulher optar pelas áreas científicas?
Por: Danielle Alvarenga em 17/12/2018

Em 2018, uma das ganhadoras do Prêmio Nobel de Física foi uma mulher: Dona Strickland. Os vencedores foram anunciados em outubro, mas o que levantou questionamentos foi o fato de Strickland ser apenas a terceira mulher a receber o prêmio. Alguns dos motivos já são debatidos nas redes sociais: a marginalização da mulher e sua representação como um ser frágil e sentimental, que deve permanecer nos cuidados domésticos. Portanto, não é apenas a percepção da sociedade sobre o papel do gênero nela, mas também a forma como nossas meninas são educadas: sem serem incentivadas a se aproximar das ciências.

Através de uma entrevista concedida a nós, Janne Cristine de Melo Santana, estudante de Física na Universidade de Coimbra, em Portugal, conta como foi sua escolha para entrar na área da ciência e suas dificuldades. Entrou através do SISU em setembro de 2018, e mudou-se da cidade do Rio de Janeiro para Coimbra.


- O que te incentivou a ir para a área da ciência?

Janne Cristine de Melo Santana: “Olha, quando eu paro pra pensar bem sobre o que me levou a fazer ciência, eu vejo que existem vários fatores que influenciaram nessa decisão. Um deles é o apoio incondicional aos estudos que meus pais me deram desde nova, o que me deixou não só confortável em aprender coisas novas, mas também me despertou o interesse acima da média, ao ponto de eu escolher como profissão. Eu acho que outro motivo importante é a objetividade e relativa honestidade que existe na ciência. Embora muita gente ainda associe tecnologia à aplicação em algo que dê retorno financeiro, a academia, pelo menos teoricamente, tem o foco em tornar os fatos o mais esquematizado e universal possível. Isso é fundamental. E como eu vejo que isso sincroniza muito bem com a minha afinidade com coisas mais concretas, lógicas, vi na ciência um jeito de fazer o que eu amo e trazer algo de bom pra sociedade: o conhecimento.”

- Você acha que a criação que seus pais te proporcionaram fez diferença para sua decisão em optar pela área científica?

Janne Cristine de Melo Santana: “Eu acredito que sim, pois eles apresentavam os estudos e a ciência como uma possibilidade futura, não como uma proibição ou como se eu devesse fugir disso e procurar ‘carreiras femininas’.”

- Você sente diferença entre o número de alunas mulheres nas áreas de ciências no Brasil e em Portugal?

Janne Cristine de Melo Santana: “Eu acredito que a proporção seja basicamente a mesma, relacionando Brasil a Portugal. Mas, para você ter uma noção, na turma que entrou esse ano comigo na Universidade de Coimbra, somos 11 mulheres numa turma de 40, 50 alunos de física. A porcentagem é muito pequena.”


- Em sua opinião, o que ocasiona essa diferença na presença de homens e mulheres na área?

Janne Cristine de Melo Santana: “Essa parte é um tanto complicada porque as pessoas dão inúmeras razões a isso que vão de opiniões embasadas em religião até pseudocientíficas, mas o fato é que essa diferença existe desde que existe ciência. E, para mim, parece que as mulheres se sentem desmotivadas, pois, além das dificuldades naturais que qualquer cientista enfrenta, tem barreiras impostas que homens nunca nem imaginam que possa existir, como a preocupação de não conseguir um estágio ou uma bolsa porque os responsáveis podem se sentir "lesionados" caso a mulher venha engravidar. Existem estatísticas que dizem que mulheres entregam menos artigos que homens e uma das explicações mais plausíveis para isso é que as mulheres simplesmente passam mais tempo preparando o artigo porque sentem que precisam fazer 3 vezes mais ou melhor que o autor normal para, PELO MENOS, seu trabalho seja aceito ou até analisado.”


- Você enfrenta dificuldades ou preconceitos por ser mulher dentro da Universidade de Coimbra? Se sim, quais?

Janne Cristine de Melo Santana: “Eu nunca enfrentei problemas explícitos, mas já senti que meus colegas de grupo não acreditavam muito nos meus apontamentos ou quando eu discordava de algo que eles faziam ou falavam. E já vi, claramente, outro colega de sala simplesmente ignorar a colega de grupo dele e preferir se dirigir a outra dupla de rapazes que faziam o experimento a falar com ela. Analogamente, nunca tive problemas explícitos na USP, mas já passei por situações parecidas com as quais tive na Universidade de Coimbra até agora.”




A entrada de mulheres em academias na área da ciência não é apenas uma dificuldade do Brasil, mas mundial. Os preconceitos explícitos e implícitos que sofrem ao optar por áreas de domínio masculino estão, aos poucos, sendo questionados e desconstruídos. A entrada de mulheres engajadas na área, como a aluna Janne, e a vitória de Donna Strickland no Prêmio Nobel da Física tornam-se exemplos para incentivar meninas a não se manterem nos padrões pré-estabelecidos e sonharem a se tornar tudo aquilo que a sociedade ainda persiste em dizer que não podem ser.











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