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Blog Divulgação Científica
por Cecile Mendonça


Cecile Mendonça é carioca, mas já morou em Salvador, Fortaleza e agora foi parar em Niterói. É graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal Fluminense. Leitora ávida. Ama escrever. Curiosa. Escalafobética.






Quantas mulheres negras e indígenas você conhece trabalhando com tecnologia e inovação?
Por: Cecile Mendonça em 27/09/2018

Conheça o PretaLab: projeto que visa ampliar o espaço e representatividade de mulheres negras e indígenas nas áreas da ciência e da tecnologia.

“Das 19 mulheres citadas na história científica no Brasil pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), nenhuma é negra.”

“Segundo um levantamento feito pela Poligen da USP em 2013, em 120 anos, apenas 10 mulheres negras se formaram na Escola Politécnica da USP.”

“Pessoas negras com pós-graduação, em 2015, foram somente 28,9% no Brasil.”

“O percentual de mulheres brancas com ensino superior completo é 2,3 vezes maior do que o de mulheres negras.”

Quantas mulheres negras você conhece trabalhando com tecnologia e inovação? Sabemos que são poucas, mas é importante saber a dimensão desse “pouco”. Afinal, foi a partir dessas informações que em 2016, Silvana Bahia, diretora de projetos do Olabi, teve a ideia de criar o PretaLab. Ela relata ter observado em eventos e em espaços de discussões voltadas para a área de tecnologia, a ausência de mulheres, em especial as negras e as indígenas – fato que Silvana associa à falta de representatividade, acesso e preconceito.

Mulheres negras precisam lutar para vencer barreiras criadas pelo racismo e pelo sexismo no ambiente de trabalho. Segundo uma pesquisa feita pelo Pew Research Center, 62% dos homens e mulheres nas áreas da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática afirmaram ter sofrido discriminação no trabalho por sua raça ou etnia. Então, sofrendo os efeitos negativos causados pelos estereótipos de gênero e de raça, as mulheres negras são bastante pressionadas a gerar mais resultados em seus respectivos locais de trabalho.

Segundo o Centro de Inovação e Talento, 77% das mulheres negras em empresas de alta tecnologia dizem precisar performar acima da média, para provar ainda mais a sua competência em relação aos homens, majoritariamente brancos. Essa pressão pode gerar ansiedade, afetando a saúde dessas mulheres e consequentemente o seu trabalho, já que a saúde e produtividade estão intrinsicamente ligadas.

Além do preconceito, a falta de representação e a dificuldade de acesso são um dos principais motivos para não termos tantas mulheres negras e indígenas na área científica. “Quase tudo relacionado a esse campo é caro, em inglês e são raras as políticas (públicas ou privadas) destinadas ao nosso ingresso e permanência nesses espaços. A falta de referência é outro fator determinante: se ser uma mulher nas tecnologias já é um desafio, imagina para nós, negras. A ausência de referências positivas sobre mulheres negras e indígenas é uma questão social que perpassa não apenas o mundo das tecnologias, mas os mais variados campos profissionais e de poder”, afirma Silvana Bahia.

Então, no dia 17 de março de 2017 o Olabi – organização social dirigida por mulheres que visa democratizar o acesso às ferramentas de inovação – lançou a PretaLab, com apoio da Fundação Ford, para justamente desconstruir o mito de que a ciência não pode ser palco para a mulher negra. Ao focar no protagonismo das negras e indígenas na inovação, mapeando dados, coletando histórias e organizando encontros que mostram que a tecnologia é sim um campo destinado a elas, aumenta a quantidade dessas mulheres ocupando esses espaços, o que produz mais visibilidade.

A inovação acontece quando temos múltiplos olhares sobre as coisas. Com iniciativas como essa aos poucos as barreiras preconceituosas vão sendo derrubadas.











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