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Blog Resenhas Literárias
por Thalita Bastos


Thalita Bastos é aluna pela Universidade Federal Fluminense (UFF), cursando Jornalismo. Feminista negra e vegetariana. Curiosa, ama conhecer novos lugares e histórias.






Livro: Tornar-se negro - Autora: Neusa Santos Souza
Por: Thalita Bastos em 06/11/2018

“Tornar-se negro” é um exemplo perfeito, a meu ver, de contar uma história com toda propriedade de fala, pois se trata da visão de uma mulher negra, falando sobre ser negra/o na sociedade brasileira, e não de uma visão branca a respeito do assunto. Não que isso seja suficiente para invalidar o saber de uma pessoa branca, mas vale entender que o lugar de fala dessa pessoa é diferente da fala de Neusa Santos, que não está distante e que é afetada pela questão.

A autora evidencia no livro de 1983, coisas tão atuais, que perpassam a caminhada de toda pessoa negra nos dias de hoje, ouso afirmar, de toda pessoa negra desde sempre. A busca incessante e imposta de ser sempre melhor, ser mais, como uma forma de provar ser tão bom quanto o “ideal” (branco).

Busca também por ascensão social, ao custo de perder-se no meio do caminho, pois como a autora evidencia que, desde muito tempo, a ascensão social vinha acompanhada da negação da negritude. Tornar-se gente é invalidar o corpo negro, seus saberes, e tornar-se o mais próximo de branco possível.

Compreendendo o que a autora diz, em todo seu texto, enxergo com sua ajuda que negros que buscam ascensão não negam sua negritude exatamente, pois, ser negro é visto de modo negativo, não restando algo positivo para a pessoa negar ou afirmar essa identidade. É uma visão estereotipada, limitada, negam toda essa bagagem negativa, que é difundida como verdade. Para ela, e compartilho dessa ideia, ser negro é entender, acolher essa visão que é passada de nós, que nos afeta, e fazer disso não uma verdade e sim um pontapé para a criação de uma nova visão do ser negro, mais parecida com o que de fato deve ser, com mais respeito. Com sua fala no texto, entendo que ser negro é um processo e não algo dado. É uma construção, é aceitar que não precisamos ter um ideal branco, quando podemos nos afirmar e reinventarmos. Ser negra para mim é um constante devir, é tornar-me negra. É transcendermos os estereótipos que nos são impostos, de inferioridade, etc. e reinventarmos nossa existência. É acolhermos nossas origens e sermos o que quisermos ser e não nos encaixarmos em padrões por serem mais bem aceitos. É mostrar para o mundo que o ideal do negro é ser ele mesmo e não algo outro.

Mas, isso não é algo fácil, não podemos romantizar essa luta, que é necessária para obtermos uma nova forma de existência, que não essa, tão simplificada e prejudicial. Termino essa leitura tendo a certeza de que estou no caminho certo, caminho este, que busca a aceitação e o respeito às diferenças.











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