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Blog Resenhas Literárias
por Luiza Maia


Luiza Maia é graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal Fluminense. Enxerga no futuro do jornalismo a esperança de que novas histórias e pontos de vista sejam contados e visibilizados. Histórias e opiniões de resistência, contra uma maré de consensos forjados.






Livro: Super-homem, Não-homem, Carol e Os Invisíveis - Autor: Carlos Eduardo de Magalhães
Por: Luiza Maia em 10/12/2018

Se você mora em uma cidade grande, já se acostumou com a vida em um ritmo frenético. É o ritmo da chegada e saída dos ônibus, o abrir e fechar dos metrôs, a subida e aterrissagem dos aviões. Nossos tempos são cronometrados pela duração do trânsito, pelas cores verde, amarela e vermelha dos faróis, e um cotidiano que se repete continuamente. Assim, imersos nas próprias rotinas, não percebemos que ao redor existem pessoas vivendo. Passando por ciclos, as vezes parecidos os nossos, em outras vezes totalmente opostos, ou até complementares.

Há por aí talvez pessoas com o mesmo nome que o seu, vivendo uma vida que poderia ser sua, se não fossem as diferentes experiências. Outras, totalmente distintas, ainda assim podem acabar interferindo na sua vida, ainda que ambas nem saibam disso. Talvez esse panorama seja confuso de compreender. Afinal, por que alguém se preocuparia tanto em pensar em como outras pessoas vivem? Mas quando lemos um livro que nos traz histórias, algumas de pessoas próximas, e outras de uma realidade totalmente diferente, que se entrelaçam e se correspondem, fica mais fácil enxergar um pouco do como podemos ter tanto em comum com pessoas ao nosso redor.

Nossa história possui três personagens que introduzem a trama. Carol e seus “Marcos”: Marcos esposo e Marcos melhor amigo. Moram no mesmo prédio, na mesma São Paulo cinza e barulhenta. Carol apenas uma simples psicóloga, vive casada e com seus dois filhos. Presa ao consultório, e os longos monólogos dos pacientes, seu único momento de calma é o chuveiro, com seu gotejar constante e sua correnteza de água, levando as tensões pro ralo.

Marcos, melhor amigo e parceiro de descobertas, dos beijos e travessuras de sua adolescência, tornou-se um ator famoso. Adorado por sua atuação nas telas, idolatrado em um jogo online chamado “Guerreiros”, no qual nunca foi derrotado, um dia descobre também que possui superpoderes. É neste mesmo momento que o outro Marcos também faz uma descoberta sobre si mesmo: está se tornando cada vez mais um não-homem. Perdido quanto ao significado de sua vida, o arquiteto, entre suas viagens internacionais e reuniões de empresas, já se sente nesta categoria abaixo do que é ser um alguém.

Em paralelo com a vida desses adultos de vidas cruzadas, conhecemos também a vida de adolescentes da periferia do Rio de Janeiro. Conhecemos primeiro cinco rapazes, que após realizarem um furto que muda suas vidas, passam a se nomear “Os Invisíveis”. Os invisíveis porque moram do lado apagado daquela cidade, aquele que os turistas não chegam com suas câmeras, o que não se encaixa com o lado das belezas cariocas. Também adeptos ao jogo “Guerreiros”, invejam aquele jogador que sempre ganha a todos. Queriam ter um pouco daquele poder invencível que pode alterar a própria realidade.

As vezes se encontrando, em outras se desencontrando, os três dias em que acompanhamos nossos personagens são decisivos para a vida deles. O tempo os leva a se questionarem, a abrirem os pensamentos e as vozes presas na garganta. Carol precisa compreender o fato de ter perdido sua mãe e confrontar parte de seu passado. Marcos, o super-homem, em um certo ponto, precisa rever seus poderes e o quanto eles são reais. Marcos, o não-homem, precisa gravar nas paredes da sua mente, frases que o ajudem a entender a existência que está levando, e todo seu confuso significado. Os invisíveis, precisam mudar a imagem que têm sobre si mesmos e seus lugares nessa realidade desigual e problemática.

Vemos em todos os personagens, pessoas reais que por vezes não compreendem o que vivendo. Enquanto uns passam a se sentir poderosos, outros perdem suas forças. Enquanto alguns se descobrem, outros tentam se esconder. Nessas histórias entre Rio e São Paulo, o tempo e seus acasos são os grandes protagonistas dessa história, que cruzam o caminho de cada indivíduo da trama. É o tempo que cronometra cada passo, cada atitude parecida dos personagens, e cada atitude oposta. Mas seriam essas atitudes apenas coincidências na vida? Seria a vida uma sequência de acasos que podem nos levar onde nós devemos chegar? Talvez sim, talvez não.

Mas o fato é que, em geral, parece que tudo o que acontece está interligado a coisas maiores. Talvez ligado a outras pessoas, ou a um alvo que precisamos atingir na vida. Os altos e baixos acabam fazendo parte deste processo também, e nossos personagens é que o digam. No ritmo conduzido da vida, todos acabam se encaminhando para direções que se cruzam e se conversam. Só que, “Super-homem, Não-homem, Carol e Os Invisíveis”, mais que um livro de histórias cruzadas, é um livro que representa o que é viver com todos os seus encontros e desencontros, questionamentos e respostas. Cada jornada que acompanhamos possuem seus próprios desafios e particularidades, mas com algo em comum: sempre encaminham os personagens param que eles derrubem seus conceitos, e cheguem mais perto em aprender sobre quem realmente são. Nisso, acabamos nos enxergando neles também, e em suas existências nas cidades.











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