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Blog Resenhas Literárias
por Lucas Bulhões


Lucas Bulhões é graduando em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense. Carioca, ávido consumidor de conteúdo audiovisual e ansiosamente curioso.






Livro: “Dragões de Éter - Caçadores de Bruxas” - Autor: Raphael Draccon
Por: Lucas Bulhões em 17/12/2018

Nenhuma história é mais marcante que um bom conto de fadas.


É inegável que o ciclo histórico da humanidade é parcialmente mutável. Mudam os costumes, a arquitetura, a tecnologia, a moda, os ícones... quase tudo muda. Mas, em meio a essa loucura transmutacional de nossa existência, há um conjunto de histórias capazes de se manterem inertes no imaginário popular de diversas gerações: os contos de fada.

São contos sobre dragões. Sobre princesas. Sobre monstros. Sobre reis. Sobre maldições. Sobre magia. Sobre animais falantes. Contos sobre o que há de mais fantástico… contos sobre fadas.

Assim como nossas crenças e hábitos, esse conjunto de histórias é um elemento fortemente presente na criação de um senso lúdico para crianças em diversas sociedades. Com narrativas capazes de mesclar o que há de mais absurdo com metáforas e ensinamentos para quem as recebe, os contos de fada já se cristalizaram nas sociedades ocidentais como grandes ícones passados de geração em geração.

Dificilmente há quem não conheça a história da menina de capuz vermelho. Ou dos irmãos que se deparam com uma casa feita de doces ao se verem perdidos em uma floresta. Até mesmo do impiedoso pirata com perna de madeira oriundo da Terra do Nunca. E, se aproveitando desses elementos tão clássicos a nós, Raphael Draccon nos convida para uma reimaginação dos mesmos.

O autor nos apresenta o reino de Nova Ether, um reino comandado por um rei ex-caçador de bruxas e uma rainha que se tornara humana ao abdicar de seus dons de fada. Apenas com essa breve apresentação há de esperar que o lugar seja deveras mágico, e realmente é, mas a real magia da obra está na criação de seus protagonistas (e velhos conhecidos de nós): Ariane Narin, uma menina que há pouco presenciou sua avó ser devorada por um lobo e ficou conhecida pela cor do sangue em seu capuz, e os irmãos João e Maria, alguns dos únicos sobreviventes a um ataque de bruxas. Apesar do abuso do elemento fantástico em suas trajetórias, Draccon é extremamente certeiro ao dar nuances demasiadamente reais a eles, e é o principal ponto positivo da obra.

Dividida em três atos, a construção da narrativa, apesar de inicialmente incômoda, é eficaz ao utilizar os tons certos das histórias usadas como fonte. Somos levados a imergir na história pela maneira que a mesma é conduzida, como se fossemos apenas ouvintes de um ótimo contador de histórias. Há momentos nos quais é bastante possível que o leitor se veja perdido em meio a um grande número de tramas e núcleos, o que se torna confuso ao decorrer da leitura, mas aos poucos o autor consegue voltar às rédeas e deixar bem claro o quanto sua história é bem ajambrada. Os capítulos curtos são conjuntamente prós e contras, já que aumentam uma possível confusão de quem lê pelos grandes “cortes” entre núcleos, porém para alguns pode ser visto como um fator a trazer dinamismo ao livro.

Essa primeira obra, de uma trilogia, lançada em meados de 2007, mostra o potencial da literatura fantástica brasileira. A história de Caçadores de Bruxas é rica, complexa e original, de forma que possa agradar aos fãs mais severos dos antigos contos até mesmo alguém que não os conheça. Uma história, sobre outras histórias, para amantes de boas histórias.











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