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por Cecile Mendonça


Cecile Mendonça é carioca, mas já morou em Salvador, Fortaleza e agora foi parar em Niterói. É graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal Fluminense. Leitora ávida. Ama escrever. Curiosa. Escalafobética.






Psicofobia: o preconceito capaz de ferir mais do que o próprio transtorno mental
Por: Cecile Mendonça em 07/11/2018

Aos anoréxicos:
“Por que você não engorda um pouco?”
“Está magra assim porque quer, é só comer.”

Aos depressivos:
“Não entendo porque você tem depressão, olha a vida que você tem!”
“Impossível você estar depressiva, vive sorrindo...”
“Não sai dessa cama por preguiça mesmo.”
“Acho que você não está fazendo o suficiente para melhorar”.

Aos ansiosos:
“Você está se preocupando demais porque quer, você precisa ignorar isso e relaxar.”
“Acho que você está exagerando, não é algo tão ruim. Existem pessoas bem mais doentes que você”.

Essas são algumas frases ditas por pessoas que aparentemente querem ajudar. Mas pela falta de informação e empatia, acabam piorando mais ainda o estado de quem já está doente. O tabu de que doenças psicológicas são apenas frescuras advindas da geração denominada como “mimimi” ainda é muito presente no nosso cotidiano. Fato preocupante, já que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima-se que existem 720 milhões de pessoas (cerca de 10% da população) com transtornos mentais, e cerca de 50 milhões delas estão no Brasil. Ao relativizar doenças como ansiedade, depressão, TOC, entre outras, cada vez mais as pessoas criam barreiras dentro de si que dificultam a aceitação da própria doença.

Assim foi com Fernando Machado Matias. O professor com transtornos de bipolaridade conta sobre as suas dificuldades até começar o seu processo de aceitação da doença.

“Sou Professor e tenho transtorno bipolar diagnosticado a cerca de dez anos. Acho difícil que alguém com transtorno psiquiátrico não seja vítima de seu próprio preconceito. A primeira reação de praticamente todos os que se descobrem com esse tipo de problema é a vergonha, como se isso fosse um sinal de fraqueza. Minha primeira reação foi a de acreditar que bastaria o médico acertar a medicação para que eu me "curasse". Levei anos para entender que, no caso específico do transtorno bipolar, não existe cura, só existe tratamento. Por causa disso, tirei várias licenças médicas, até ser aposentado compulsoriamente. Quando isso aconteceu, a cerca de 5 anos, senti que minha vida tinha acabado. Mas, depois decidi parar de lutar contra a doença e aprender a viver com ela. Esta semana consegui me desaposentar. Ano que vem devo voltar a lecionar. Confesso, que o meu maior problema não foi o preconceito alheio. Foi o meu. Só quando venci meus preconceitos em relação a essa doença é que fui capaz de recuperar minha vida.”

Se quem possui a doença já tem dificuldade em assumi-la, para que piorar mais o processo? Ao fortalecer os tabus, mais doentes se calam e as taxas de suicídio só aumentam. Aproximadamente 97% das pessoas que se suicidam, o fazem devido a algum transtorno mental, sendo a depressão o que mais se destaca.

É preciso quebrar a relação de isolamento, psicoeducando as pessoas para que elas falem sobre o que sentem, tratando de modo mais sério e humano os transtornos psicológicos.

A verdade é que a saúde mental é um assunto muito complexo para mentes vazias de empatia. É preciso se colocar no lugar do outro. Entender que nada do que sentimos é vagueza merecedora de ser colocada em segundo lugar. Tudo e todos são relevantes. Precisamos falar sobre as doenças psicológicas e o preconceito que as envolvem.

“Se eu tivesse conhecido uma história como a minha teria tido muito menos problemas. Já vinha cogitando em compartilhar meu case para tentar ajudar outras pessoas a passarem por menos percalços do que eu.”, disse Fernando no fim da entrevista.











   
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