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O blog é voltado ao jornalismo de expressão e narrativas independentes; direcionado às grandes questões políticas de nosso país.





O que significa o mote "Os EUA em primeiro lugar" de Trump
Por: Antonio Luiz M. C. Costa (Carta Capital) em 28/12/2017

Desde Ronald Reagan, a Casa Branca emite periodicamente um documento oficial sobre a “Estratégia de Segurança Nacional” para explicitar como o governo vê as ameaças aos Estados Unidos e como pretende lidar com elas, tanto para legitimar os pedidos de recursos ao Congresso quanto para criar consenso dentro do próprio Executivo sobre questões de defesa e diplomacia.

Em 18 de dezembro, Donald Trump publicou pela primeira vez a sua, com a qual se afasta não só das prioridades de Barack Obama, como também das concepções pelas quais os EUA orientavam as relações com os aliados e a gestão de seu império desde, pelo menos, o governo de Franklin Delano Roosevelt.

Como todos já devem saber, o lema de Trump, America First – os EUA primeiro– foi tomado diretamente do America First Committee, a campanha de Charles Lindbergh e seus partidários filonazistas, nos anos 1940, para tentar impedir o envolvimento do país na II Guerra Mundial ou mesmo a ajuda material ao Reino Unido, com o argumento de que isso não era do interesse nacional, que Roosevelt teve dificuldade para contrariar até o ataque a Pearl Harbor. E é para ser entendido ao pé da letra.

Significa nenhuma consideração pelos problemas da humanidade como um todo, muito menos por organizações multilaterais, nem sequer pelo bloco de aliados e satélites tradicionais. Tratados e relações com estes – inclusive, que ninguém se iluda, a OTAN e as alianças com o Japão, a Coreia do Sul e a Austrália – só se justificam enquanto trouxerem alguma vantagem material. Nenhum compromisso precisa ser cumprido se não convier a Washington.

O texto nem cogita da existência de soft power, ou seja, de influência cultural e ideológica conquistada com iniciativas humanitárias, ajuda ao desenvolvimento e propaganda baseada em direitos humanos e valores democráticos. Só reconhece o poder material, econômico e militar.
Assim, dá uma ênfase sem precedentes nas relações econômicas com o exterior, com o argumento que a segurança econômica é fundamental para a segurança nacional e insiste, absurdamente, em que os governos anteriores não entenderam a importância da economia para o poder e soberania dos EUA e permitiram que outras nações tirassem vantagens e os explorassem impunemente. É uma concepção da economia e do comércio internacional como um jogo de soma zero, onde cada ganho implica uma perda para alguém.

Passam a ser equiparados a “agressão econômica” os déficits comerciais dos EUA com outras nações, que na maior parte dos casos resultam do livre comércio e da livre concorrência oficialmente promovidos pelos governos estadunidenses desde 1945 e agressivamente impostos ao resto do mundo partir dos anos 1980. “Os Estados Unidos garantirão que o comércio seja justo e recíproco e não fecharão os olhos a violações, trapaças ou agressões econômicas”.

O significado prático disso tem sido expresso nas negociações do NAFTA, com as quais Washington quer equilibrar na marra as balanças comerciais com o Canadá e o México, impondo quotas mínimas de conteúdo estadunidense a automóveis e outros produtos – exatamente a mesma política que condena no Brasil e outros países.

Nesse documento, as ameaças reais do aquecimento global e da mudança climática, enfatizadas nas versões anteriores, são completamente omitidas. É difícil crer que Trump e sua equipe realmente as ignorem ou duvidem delas. É de se presumir que simplesmente acreditem ser mais vantajoso aos EUA trapacear no jogo comercial recusando-se a restringir o uso de combustíveis fósseis para jogar o custo de tentar prevenir o desastre global nas costas do resto do mundo.

O texto insiste repetidamente na China e a Rússia como nações que “desafiam o poder, a influência e os interesses americanos, tentando corroer a segurança e a prosperidade dos Estados Unidos”. A Rússia é acusada de “usar operações de informação como parte de seus esforços cibernéticos ofensivos para influenciar a opinião pública em todo o mundo” e a China de manter “práticas comerciais abusivas” e “roubar propriedades intelectuais”. Fala-se de retorno à retórica da Guerra Fria, mas é preciso notar uma importante diferença: em nenhum momento se menciona o “mundo livre” e sua defesa. Não se trata mais de defender supostos ideais liberais e democráticos de ameaças totalitárias, mas simples e francamente de defender os interesses estadunidenses e de tentar garantir e expandir sua esfera de influência ante as potências rivais.

É de notar também que, enquanto o texto critica a Rússia mais de vinte vezes, no discurso de apresentação, Trump a mencionou apenas uma vez como “potência rival” ao lado da China para em seguida aludir a seu telefonema a Vladimir Putin na véspera para discutir a cooperação de inteligência com a qual teria frustrado um ataque terrorista na Rússia – o que sugere que, nesse ponto, seu pensamento não esteja afinado com as equipes militar, diplomática e de inteligência responsáveis pelo documento.

Coreia do Norte e Irã também são listados entre as ameaças, como “regimes renegados promotores do terrorismo” e Teerã acusada de tentar expandir sua influência no Oriente Médio. Isso era previsível: mais de se notar é a falta de menção à promoção e financiamento de organizações terroristas sunitas como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico, sabidamente ligadas às elites de monarquias árabes com boas relações com Washington. Também é novidade o texto descartar a preocupação de governos anteriores com o conflito palestino como um sério empecilho à paz e insistir em que os terroristas e o Irã, não Israel, são as causas dos problemas da região.

De resto, as menções ao terrorismo propriamente dito servem principalmente para justificar a continuação da vigilância cibernética dos próprios cidadãos e do mundo e o combate à imigração, incluído nesta a construção do famoso muro com o México. Este e os demais países da América Latina praticamente só surgem como potenciais fontes de imigrantes ilegais e narcotráfico ou, no caso de Cuba e Venezuela, como “modelos de esquerda autoritários e anacrônicos” e plataformas para a influência russa e chinesa no continente. A gestão das relações com essas nações visivelmente não está entre as prioridades, ou está sendo deixada à iniciativa de organizações privadas aliadas de Trump, tais como a fundação John Templeton, o Cato Institute, o Charles Koch Institute, a Atlas Network e o Students for Liberty.

“Defenderemos o nosso país como nunca antes”, anunciou Trump ao apresentar o documento. “Com esta estratégia, invocamos um novo despertar dos Estados Unidos, um ressurgimento de confiança e um renascimento do patriotismo, da prosperidade e do orgulho. O mundo inteiro está sendo elevado pela renovação e ressurgimento da nossa liderança. Depois de um ano, o mundo sabe que os Estados Unidos são de novo prósperos seguros e fortes”. Foi um discurso de campanha, mas com um grão de verdade: a parte do “como nunca antes”.











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