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Blog Psicanalista Político
por Felipe Pena


Felipe Pena é jornalista, psicólogo, roteirista e professor da UFF.

Doutor em literatura pela PUC, com pós-doutorado em semiologia pela Sorbonne, é autor de 15 livros e diretor do documentário "Se essa Vila não fosse minha". Visiting Scholar na New York University.

Foi sub-reitor da Universidade Estácio de Sá entre 1999 e 2004 e comentarista do Estúdio I, na Globonews, entre 2013 e 2015.

Escreve semanalmente no Jornal Extra.






João Dória é o Tony Karlakian do Adnet. Ou vice-versa.
Por: Felipe Pena em 08/05/2017

Quando apresentava o programa de TV "O aprendiz", Donald Trump tinha um bordão muito conhecido: você está demitido! Há algumas semanas, o prefeito Joao Dória tentou imitar o americano ao dispensar a secretária Soninha Francine. Foi cruel, mas sua imitação ficou mais canastrona do que o original de peruca laranja.

Durante a convenção do PSDB que o escolheu candidato à prefeitura de São Paulo, em 2016, Dória foi acusado de comprar os votos dos delegados. Foi apelidado de Jonny Dólar. Em janeiro, a produtora cultural Ana Paula Galvão, coordenadora do Teatro Paulo Eiró, foi demita porque o chamou pelo apelido em uma rede social, embora até as figuras mais importantes de seu partido o chamem assim nas conversas em off. Mas, como é ele quem manda, não aceitou a verdade, ou melhor, a ofensa.

Na semana passada, Dória não pôde demitir a ciclista que lhe ofereceu flores em "homenagem" ao aumento do número de mortes nas marginais da capital paulista. Frustrado pela própria impotência, o prefeito tacou as flores no chão, sujando as ruas da cidade que administra. Se Trump estivesse por perto, seria ele o demitido. E por justa causa.

Ao cumprir a demagógica promessa de aumentar o limite de velocidade nas marginais, Dória se tornou cúmplice das mortes em acidentes de trânsito na cidade. De janeiro a abril de 2017, segundo a PM de São Paulo, ocorreram 367 acidentes nas marginais, um aumento de 67% em relação ao mesmo período do ano passado. Sete pessoas morreram. Todas essas mortes têm as digitais do prefeito.

E a demagogia continua. Dória já se vestiu de gari, numa tosca versão de Jânio Quadros nos anos 1960, já cobriu grafites, já brincou de guarda municipal. Tudo para esconder o que realmente é: um playboy mimado com sede de poder. Daí a semelhança com ex-presidente Collor. No campo semântico do autoritarismo, o roxo está para o alagoano como o cinza está para o paulista.

O prefeito da elite paulistana não admite ser contestado. Recentemente, usuários do facebook relataram que advogados entraram em contato para que postagens contra o alcaide fossem retiradas da rede. Além disso, um trecho da canção da banda Aláfia foi removido antes de ir ao ar pela TV Cultura, emissora ligada ao governo de São Paulo.

Já que a música está censurada, vamos reproduzi-la aqui:

"Liga nas de cem que trinca

Nas pedra que brilha

Na noite que finca as garra

SP é fio de navalha

O pior do ruim

Doria, Alckmin

Não encosta em mim playboy

Eu sei que tu quer o meu fim"

O playboy se irrita com o espelho. Por trás da camisa pólo com cavalo gigante há um potro assustado. João Dória é a cópia do personagem Tony Karlakian, interpretado por Marcelo Adnet no programa "Tá no ar", da TV Globo. Ou vice-versa. Todas as preocupações do prefeito estão voltadas para o marketing. Todas as suas ações visam a bajulação dos colegas da balada quatrocentona. Não tem conhecimento ou competência para ocupar o cargo, o que ficou comprovado pelo pente fino que a agência Lupa fez em seu discurso de comemoração dos 100 dias de governo.

Para a agência, cuja especialidade é a checagem de dados, as informações apresentadas pelo prefeito de São Paulo foram classificadas, em sua grande maioria, como "exagerada", "contraditória" e "insustentável". É um resumo perfeito de sua administração.

O homem que diz ser gestor e não político teve o primeiro cargo público há 30 anos, quando foi presidente da Embratur, no governo Sarney. Mas parece que a gestão não foi muito eficiente. Dória teve as contas rejeitadas pelo TCU e foi acusado de desviar dinheiro da empresa, mas acabou absolvido por um voto político.

O prefeito dublê de apresentador agora sonha com a presidência. Continua inspirado em Trump e, sempre que pode, usa sua incontinência verbal para atacar seus opositores e se posicionar perante os odiadores da nação. O que Trump fazia com Hillary, Dória tenta fazer com Lula e o PT. Mas, pelo visto, deveria se preocupar com outro presidente, o tucano Fernando Henrique Cardoso.

No último final de semana, o príncipe dos sociólogos admitiu que Dória pode ser o candidato do partido à presidência. Mas, desconfiado, resolveu lançar outro apresentador para o cargo.

Não direi o nome dele porque não quero me indispor com o prefeito. Só sei que, se esse apresentador for presidente, os próximos programas sociais do Brasil serão Lata-velha, Lar doce lar e quem quer ser um milionário.

O país pode virar um grande caldeirão.

Com o Supremo, com tudo.









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