Abertura   Editorial   Colunistas   Contato  
 
     
 
 
   
  PSICANALISTA
POLÍTICO
  BOATOS E
FAKE NEWS
  RESENHAS
LITERÁRIAS
  FUTEBOL
DE VÁRZEA
  OPINIÃO DOS
PARCEIROS
  DIVULGAÇÃO
CIENTÍFICA
 
 
 

 

Blog Resenhas Literárias
por Felipe Pena


Felipe Pena é jornalista, psicólogo, roteirista e professor da UFF.

Doutor em literatura pela PUC, com pós-doutorado em semiologia pela Sorbonne, é autor de 15 livros e diretor do documentário "Se essa Vila não fosse minha". Visiting Scholar na New York University.

Foi sub-reitor da Universidade Estácio de Sá entre 1999 e 2004 e comentarista do Estúdio I, na Globonews, entre 2013 e 2015.

Escreve semanalmente no Jornal Extra.






Livro: Rio, Paris, Rio - Autora: Luciana Hidalgo
Por: Felipe Pena em 25/11/2016

Nas próximas 99 semanas não falarei sobre política.
Não falarei sobre a queda de Geddel. Não falarei que tráfico de influência é crime. Não falarei que Michel Temer cometeu esse crime ao cuidar do interesse imobiliário de Geddel. Não falarei que isso é simples e objetivo, muito diferente de uma pedalada. Não falarei que é caso de impeachment.

Vamos falar sobre literatura.

O novo romance de Luciana Hidalgo se passa em 1968, entre as barricadas de Paris e a repressão militar nas ruas do Rio de Janeiro. O título, Rio-Paris-Rio, sugere uma ponte aérea semântica entre as cidades e os personagens. Trata-se de uma história de amor, como são quase todas as boas histórias, mas o pano de fundo são as inquietações de uma geração atordoada com os acontecimentos políticos da época.

Todavia, como esta coluna não trata mais de política, vamos nos fixar na história de amor.

Maria e Arthur são dois jovens brasileiros que se conhecem em Paris, pouco antes das manifestações de maio de 1968. Ele é um artista de rua e ela estuda filosofia na Sorbonne. Juntos, vivenciam sentimentos contraditórios como pertencimento e exílio, beleza e horror, violência e paz. Mas é justamente nas contradições que encontram os significados que os unem na ponte semântica das duas cidades.

Autora premiada com dois Jabutis, Luciana Hidalgo é uma narradora talentosa, capaz de nos envolver na história e no cenário com a mesma maestria. O leitor termina o livro com a sensação de que a cidade-luz é a sua própria cidade e com a certeza de que as angústias do casal poderiam ser as suas: "nenhum fiapo de verbo os socorre. Sequer adjetivos cortejam substantivos. Os dois têm juntos um instante de parênteses abertos, nunca preenchidos."

É nessa sintaxe muda e prolongada, como escreve Luciana, que os tempos se entrelaçam. Poderíamos estar diante do golpe militar do século passado ou do golpe parlamentar deste ano. Não importa. Habitamos as transversais narrativas de nossas histórias e não temos nenhum controle sobre elas.

Para Maria e Arthur, o primeiro de abril de 1964 acaba em 30 de setembro de 1979. No Brasil atual, ainda não sabemos quando acabará o doze de maio de 2016. Mas não vamos perguntar.

Afinal, a coluna não trata de política.

Nem de crimes.

Só de literatura.

Bravo, Luciana!











Post posterior
Livro: O Tribunal da Quinta-feira - Autor: Miguel Sanches Neto
 
 




 



Psicanalista Político
Boatos e Fake News
Resenhas Literárias
Futebol de Várzea
Opinião dos Parceiros
Divulgação Científica
 

Abertura
Editorial
Colunistas
Contato