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Blog Resenhas Literárias
por Felipe Pena


Felipe Pena é jornalista, psicólogo, roteirista e professor da UFF.

Doutor em literatura pela PUC, com pós-doutorado em semiologia pela Sorbonne, é autor de 15 livros e diretor do documentário "Se essa Vila não fosse minha". Visiting Scholar na New York University.

Foi sub-reitor da Universidade Estácio de Sá entre 1999 e 2004 e comentarista do Estúdio I, na Globonews, entre 2013 e 2015.

Escreve semanalmente no Jornal Extra.






Livro: A Bíblia do Che - Autor: Miguel Sanches Neto
Por: Felipe Pena em 12/01/2017

O fato aconteceu em meados de 1965, pouco antes de Ernesto Che Guevara seguir para a Bolívia, onde seria assassinado por agentes da CIA no dia 8 de outubro de 1967. O guerrilheiro argentino passou por Curitiba vestido de padre e carregava uma bíblia. Nas margens do livro havia anotações sobre a vida de Jesus Cristo feitas pelo próprio líder da Revolução Cubana, cujo interesse no novo testamento estava muito além do disfarce.

A bíblia do Che ainda está em Curitiba e os colecionadores pagam uma fortuna para quem encontrá-la. Este é o aparente enredo do novo romance de Miguel Sanches Neto, um dos mais profícuos escritores do Brasil.

Quando digo aparente é porque o livro de Miguel nos conduz a outros enredos, a outras reflexões, a outros mundos. Através de uma narrativa de suspense (e mistério) somos levados a pensar sobre as fronteiras entre ficção e realidade, sobre o individualismo contemporâneo, sobre as utopias (ou a ausência delas) e até sobre a produção de resenhas literárias, como esta que estou escrevendo.

Outro resenhista poderia confundir os leitores ao escrever o texto como se fosse uma notícia de jornal. Ou talvez mudar o local onde se passa a trama para irritar o autor. Quem sabe chamá-lo de Miguel Santos em vez de Miguel Sanches apenas para concordar com o narrador da história, o professor Carlos Eduardo.

Em um exercício de metalinguagem, Carlos Eduardo critica as resenhas. Diz que são uma mentira em forma de crítica, um mecanismo de relação social, uma massagem no ego do escritor, cujo único desejo é a aprovação incondicional. Mas isto não posso fazer, professor Carlos. Há um erro de grafia na décima linha da página 162 e um erro de matemática no final do terceiro parágrafo da página 157. Sinto muito, seu romance não é perfeito.

Mas o livro de Miguel chega perto. O sarcasmo do narrador, as referências históricas e literárias (temos um Capote como personagem) e a leveza como conduz a trama, sem se levar a sério, já seriam motivos suficientes para "A Bíblia do Che" figurar em qualquer lista de melhores romances de 2016. A passagem sobre o quadro "A origem do mundo", então, é impagável. Entretanto, a maneira como Miguel Sanches Neto entrelaça as diversas narrativas, sem perder o rumo (e a ironia), é que torna o livro absolutamente original.

Encontrem a bíblia do Che, meus caros.

E leiam as margens.











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