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Blog Divulgação Científica
por Luiz Carlos Prata Regadas


Luiz Carlos Prata Regadas é Sociólogo e Mestre em Planejamento e Políticas Públicas pela Universidade Estadual do Ceará - UECE, blogueiro na Fan Page @TvDoHabilidoso (Facebook) e trabalho assessorando projetos da agricultura familiar para os movimentos sociais.






Por que existe o Sexo?
Por: Luiz Carlos Prata Regadas em 27/06/2019

A duas maneiras mais frequentes pelo qual os seres vivos, principalmente os multicelulares, se reproduzem, uma é a partenogênese, quando um individuo assexuado faz uma copia de si mesmo, a outra é reprodução sexuada no qual dois indivíduos, um macho e uma fêmea, liberam gametas que vão se combinar e embaralhar seus genomas, gerando um novo ser vivo com Dna próprio. Apesar dos dois métodos permitirem a reprodução, o segundo é muito mais frequente entre os seres vivos, apesar da desvantagem de requerer um parceiro para a reprodução.

O consenso atual da comunidade cientifica é que a separação da população de uma espécie em dois sexos diferentes que precisam cooperar para se reproduzirem-se deve ao fato que isso aumenta a diversidade genética, o que contribui para uma população com mais variações em seu interior e por isso mais resistente a mudanças no ambiente, sendo assim mais difícil de ser extinta e mais fácil se adaptar a adversidades.

Entretanto a Doutora Neuza Rejane Wille Lima, professora da Faculdade de biologia da Universidade Federal Fluminense, tem outra explicação para esse fenômeno. Segundo a Pesquisadora, o sexo evoluiu pois permite corrigir possíveis falhas que surgiram durante o desenvolvimento do embrião, e assim evitar o nascimento de indivíduos com defeitos e doenças, o que desperdiçaria os recursos naturais que os pais usam para gerar o filhote. A variação genética seria apenas uma consequência acidental e positiva.

Repórter: O que te fez escolher esse tema de pesquisa?

Doutora Rejane: Na verdade, eu fui estudar nos estados unidos na área de ecologia evolutiva, ai eu tive contato com o professor Robert Van Rock, ele trabalha com peixes no México que eram híbridos que formavam fêmeas que se reproduziam por partenogenéticas (reproduzem sem sexo) unissexuais, e com isso eu comecei a estudar a evolução do sexo não só nos peixes, mas em todos os organismos desde a sua origem até as consequências evolutivas e ecológicas desse argumento.

Repórter: Como a sua teoria se diferencia da teoria mainstream?

Doutora Rejane: A teoria na verdade não é minha, são trabalhos do Bergsten a partir de ecologia e biologia molecular ele viu que o sexo é importante não para criar variabilidade mas pra fazer manutenção nas informações que são transferidas de uma geração para outra. Porque se você tiver uma grande variabilidade gerada você não vai ter espécie como uma unidade reconhecível. Se tiver uma variabilidade muito grande você não vai poder identificar organismos como dentro de populações espécie especificas.

Repórter: A partenogênese também não tem suas vantagens?

Doutora Rejane: Sim, a partenogênese por com ela a população cresce a cem por cento, já que não precisa do macho cada individuo vai gerar vida. Só que a partenogênese tem a desvantagem de que não vai haver a combinação de genes de dois indivíduos que podem ter mutações deletérias, assim essas mutações não vão ser removidas da população, vão ser perpetuadas até que a linhagem seja extinta.

Se você tem reprodução sexuada dois indivíduos se combinam, se aparecer algo deletério, a linhagem deletéria termina ali nesses dois indivíduos, não é perpetuado como na partenogênese.

Repórter: Então é por causa disso que a partenogênese é tão rara em seres vivos pluricelulares?

Doutora Rejane: Exatamente, a reprodução assexuada é mais frequentem em seres unicelulares, mais em seres pluricelulares você tem a reprodução sexuada que é um método de reprodução em que consegue-se procriar a uma baixa taxa, mas consegue eliminar mutações deletérias que acontecem na população espontaneamente e que podem se perpetuar ao longo das gerações.

Repórter: Alguns animais como elefantes marinhos tem uma competição sexual muito intensa no qual pouquíssimos machos conseguem se reproduzir, nesses casos não seria vantajoso a partenogênese?

Doutora Rejane: Na verdade, o que você tem um macho dominante que passa dois terços do tempo brigando e um terço copulando. Os machos subalternos passam dois terços copulando e um terço brigando. Ou seja quem gera mais filhotes são os machos subalternos. Só que o harém é necessário pois entre as fêmeas dominantes e as fêmeas subalternas se cria um vínculo permitindo que um cuide do filhote do outro evitando a predação.

Então é melhor em termos evolutivos que não houvesse o harém, mas como o harém é importante pela reunião numa área em que podem ser facilmente predados, portanto um vai proteger o outro, mesmo existindo essa questão do macho dominante passar mais tempo brigando do que copulando e o macho subalterno ter mais relevância na geração de filhotes.

Repórter: E no caso dos pulgões que tem partenogênese e sexo cruzado?

Doutora Rejane: Então, alguns organismos como pulgões tem reprodução assexuada, mas quando o ambiente se encontra em uma condição muito critica eles passam para a reprodução sexuado, como consequência do sexo, e não como objetivo primordial, uma variabilidade genética que vai permitir alguns indivíduos perpassar as pressões do ambiente. Alguns serão eliminados e outros irão passar para aproxima geração.

Repórter: Essa diversidade genética se tornou algo muito importante depois que surgiu ou o que realmente importa é a manutenção?

Doutora Rejane: A reprodução sexuada tem como consequência a variabilidade mas no processo de geração todo o mecanismo biológico atuou no sentido de manutenção da informação, para não ocorrer a mutação. Se fosse favorecer a variação seria melhor favorecer a mutação. Na verdade a mutação ocorre como um erro, e você tem todo um aparato molecular para corrigi-las.

Nas bactérias têm o sistema SOS em que enzimas vem e cortam as mutações do genoma. Nos eucariotos têm as mutases, que tiram os seguimentos com erros do DNA. Então o erro é uma consequência, algo que passou pelo crivo da biologia molecular, mas não é o objetivo primordial da reprodução sexuada, é só uma consequência que traz vantagens.

Afinal ter variabilidade é vantajoso, através dele o predador consegue cada vez mais capturar a presa, a presa por sua vez consegue cada vez mais escapar do predador. Os parasitas conseguem atacar o hospedeiro e o hospedeiro vai se defender do parasita. Essa é a hipótese da Rainha Vermelhar (em que dois lados travam uma corrida armamentista, mas na verdade não saem do ponto em que estavam no início). Essa é a vantagem da variabilidade genética que consequência da reprodução sexuada.

Repórter: Mas em relação aos seres vivos haploides e diploides (haploides possuem uma cópia de cada cromossomo, os diploides têm duas copias), qual a vantagem do haploide? Pois se você for diploide e tiver uma cópia de um gene deletério você pode inibir ele com a outra cópia.

Doutora Rejane: No aparecimento de material genético primeiro era o RNA, depois surgiu o DNA, o DNA teve duplicação e ficou com o dobro cromossomos, tivemos a duplicação de vários cromossomos, as vezes 200 ou 300 cromossomos em algumas espécies de plantas. Quanto mais redundante o sistema mais um gene pode se comparar com o outro e fazer as correções então essa redundância é importante no processo de correção.

Repórter: Quais são as principais evidencia desse modelo?

Doutora Rejane: A principal prova é a existência da mutase, do sistema SOS bactéria, da redundância do sistema. É como se você tivesse a terra e um satélite, o satélite manda informações por 4 canais, como se fossem dois cromossomos. Ou seja toda a redundância do sistema é prova que o sexo é para gerar reparos nas informações para que elas sejam cada vez mais fidedignas.

As mutações que ocorrem por acaso geram variabilidade, mas elas nem sempre são benéficas, muitas são deletérias. Elas podem ser removidas pelo processo enzimático ou pela geração de um indivíduo infértil, ou então num indivíduo que nasce mais morre logo em seguida. Fetos que morrem durante a gestação são geralmente indivíduos com excesso de mutações.

Quando as mulheres são muito jovens, o útero percebe essas mutações e sofre um aborto natural, já nas mulheres mais velhas o útero pode não perceber, além de ter um ovulo mais envelhecido. Por isso mulheres mais velhas tem mais chances de ter filhos com mutações como síndrome de Down, síndrome de Turner. Geralmente isso é por causa do processo de envelhecimento da mulher e do não reconhecimento através do útero dessas mutações.

Repórter: Então uma mulher que sofreu dois ou três abortos espontâneos e por que o corpo está reconhecendo mutações?

Doutora Rejane: Sim, ela está percebendo que o feto não tem viabilidade, aquela coisa da avó falar “Você tem um útero fraco” é errado, na verdade ela tem um útero alerta, pois aborta seres que não seriam viáveis.

Repórter: Isso explicar por que é tão comum mulheres nessa idade darem à luz bebês com síndromes.

Doutora Rejane: Hoje em dia se pode ver que o espermatozoide também acumula mutações. O ovulo quando é produzido tem baixa taxa de mutação, o material que compõem o ovulo ele é feito no entorno do ovulo, já o espermatozoide não é assim, o espermatozoide humano tem cinco vezes mais mutações do que o ovulo.

Repórter: Já que o espermatozoide é produzido constantemente...

Doutora Rejane: Sim, esse processo de envelhecimento do homem faz com o processo de correção no corpo do homem seja cada vez mais debilitado. Por isso quando o homem é mais velho tem mais chances de ser gerado um filho com mais mutações.

Repórter: Já que o ovulo é produzido durante o desenvolvimento embrionário da mulher, ele é um problema mais grava do que o do homem?

Doutora Rejane: É mais grave do que o do homem. O espermatozoide é produzido constantemente, o ovulo é produzido numa situação em que a taxa de mutação é menor do que o do ovulo então há um equilíbrio aí.











   
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